Para aqueles que me conhecem - ou mesmo aqueles que apenas leram este blog - não me tenho em grande conta. Posso ver um poema, um desenho ou até uma fotografia, desde que tenha um dedo que seja meu já não deve prestar.
Nasci uma bebé adoravelmente chata já que me recusava determinantemente a comer e quando, vá lá, os meus pais tinham a paciência de lutar comigo chegava ao ponto de comer uma tigela de papa numa hora...NUM DIA EM QUE TIVESSE FOME!!!!!A minha primeira memória é a da minha irmã. Deixem-me explicar, lembro-me de encostar o ouvido à barriga grávida da minha mãe no exacto momento e local em que a minha irmã acho que tinha visto uma bola de futebol. À parte disso lembro-me de me vestir de Branca-de-Neve no Carnaval enquanto ainda estava no infantário e de rasgar o vestido todo. Ah e lembro-me da sopa! (Nunca gostei e não, por isso aquela não era excepção - apesar das várias tentativas)
Depois disso tenho vários flashs, nenhum muito importante. Em resumo, nos primeiros 14 anos da minha vida, à excepção do meu problema com a comida, fui sempre uma rapariga educada, tímida, estudiosa e calada (mas que raio estava eu a pensar ao ser assim????).
Claro que, como com qualquer adolescente, veio a Idade da Parvalheira Aguda. Esta doença atingiu-me no meu 9º ano e só tive três sintomas: depressão, discussões constantes com os pais e más notas. Este último foi corrigido no 10º ano. O segundo curou-se com o tempo. O primeiro ainda está presente (um pouco como a anorexia, os que sofreram de depressão não podem nunca dizer que estão perfeitamente curados - eu que o diga).
Sobrevivi ao Secundário sendo a rapariga calada sempre de coração partido e lágrima no canto do olho, mas sempre com bons amigos ao lado dela.
Mas tudo muda e mesmo quando estava bem instalada tive de entrar na faculdade, mundo desconhecido onde não conhecia ABSOLUTAMENTE NINGUÉM! Uma experiência sem dúvida revigorante e boa. Não entrei com o pé direito (é o que dá ir com a cabeça na lua) e talvez por isso tenha toda a minha estadia ali amaldiçoada. Mas, de qualquer maneira, acho que vivi amaldiçoada desde de sempre.
Agora, passado tanto tempo (19 anos e tal de vida) posso dizer que não sou quem era e, ao mesmo tempo, sou todas elas. Vou sempre ter aquela versão bem comportada e a depressiva. Mas a que eu gosto definitivamente mais é esta que estou a conhecer: uma rapariga matura e, apesar de ainda manter alguma inocência e ignorância, tem sempre um sorriso na cara e uma conversa na ponta da língua. Esta nova personalidade surgiu quando deixei de me preocupar com as convenções. Vá...quando me rendi um pouquito ao lado selvagem. Ainda estou a tentar descobrir se esta sou eu ou se é apenas o que eu quero ser.
Não sei...E dou por mim a ficar enervada e deprimida ao descobrir que passados 19 anos de convivência comigo mesma não me conheço! Já era tempo!!!!!!
Preciso de alguém que me conheça... O problema é que de tantos amigos que já deixei para trás, tenho receio de ter deixado alguns que são o que agora me fazem falta. Felizmente esta minha nova personna é sociável e mete conversa com amigos de amigas e alunos de erasmus. Ao menos isso, não?
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