domingo, 30 de outubro de 2011

Semana 47

Dei por mim a começar a ver as coisas simples como olhos de ver. Sabem? Compreendem? Ver a beleza em tudo...
Nas ondas que rebolam na areia...
Nas pequenas gotas que nos saltam para a cara quando a onda rebenta numa pedra...
No calor do sol que nos beija com tanto carinho...
No nevoeiro matinal que nos aconchega o caminho...
No vento que nos despenteia mas nos abraça tão calorosamente... (excepto quando é um vento gelado, que começo a achar igualmente agradável)
Num sorriso...
Num abraço...
Num simples olhar...

Tenho de o dizer: eu normalmente só me sinto assim no Caminho de Santiago. Tão à vontade com o mundo e comigo mesma. Tão em sintonia com tudo o que nos rodeia. Tão simples. Só lá é que, até hoje, me sentia acarinhada pelo mundo, como se ele quisesse que eu aqui estivesse. Como se realmente houvesse alguma razão para eu cá estar. Não consigo perceber se foi influência ou se é de todas as mudanças na minha vida, mas finalmente começo a sentir-me aqui como me sinto lá - e é esse o grande objectivo. Antes pensava que precisava do Caminho para me acalmar, para pensar, para ser eu mesma sem quaisquer medos. Mas tudo isso mudou. Encontrei isso tudo aqui e agora sinto-me mais forte. Mais segura. Mais eu.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mundo Meu (mais um poema)

Só hoje olhei o mundo
Com os olhos de quem não vê
E por mais que um segundo
Desejei ficar assim

Pois essa gente
É descontraída e alegre
É divertida e contente
Pois vê o mundo feliz

Não há tristeza
Não há mágoa ou lágrimas
E o coração adquire uma moleza
Que torna tudo tão fácil

E nesse momento desejei
Que aquele mundo fosse o real
Longe dos pesadelos que criei
Longe de ti

Pois naquele mundo meu
Estava só e acompanhada
Não havia sinal teu
Mas o mundo continuava a girar

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Semana 46

Honestamente, alguém que me diga o Sentido da Vida! É que não estou mesmo nada a ver! (Excepto se a resposta é chatear-me até ao tutano e esperar que colapse sobre mim mesma uma e outra e outra vez até, por fim, cair por completo numa depressão extrema)
Para aqueles que me conhecem - ou mesmo aqueles que apenas leram este blog - não me tenho em grande conta. Posso ver um poema, um desenho ou até uma fotografia, desde que tenha um dedo que seja meu já não deve prestar.
Nasci uma bebé adoravelmente chata já que me recusava determinantemente a comer e quando, vá lá, os meus pais tinham a paciência de lutar comigo chegava ao ponto de comer uma tigela de papa numa hora...NUM DIA EM QUE TIVESSE FOME!!!!!
A minha primeira memória é a da minha irmã. Deixem-me explicar, lembro-me de encostar o ouvido à barriga grávida da minha mãe no exacto momento e local em que a minha irmã acho que tinha visto uma bola de futebol. À parte disso lembro-me de me vestir de Branca-de-Neve no Carnaval enquanto ainda estava no infantário e de rasgar o vestido todo. Ah e lembro-me da sopa! (Nunca gostei e não, por isso aquela não era excepção - apesar das várias tentativas)
Depois disso tenho vários flashs, nenhum muito importante. Em resumo, nos primeiros 14 anos da minha vida, à excepção do meu problema com a comida, fui sempre uma rapariga educada, tímida, estudiosa e calada (mas que raio estava eu a pensar ao ser assim????).
Claro que, como com qualquer adolescente, veio a Idade da Parvalheira Aguda. Esta doença atingiu-me no meu 9º ano e só tive três sintomas: depressão, discussões constantes com os pais e más notas. Este último foi corrigido no 10º ano. O segundo curou-se com o tempo. O primeiro ainda está presente (um pouco como a anorexia, os que sofreram de depressão não podem nunca dizer que estão perfeitamente curados - eu que o diga).
Sobrevivi ao Secundário sendo a rapariga calada sempre de coração partido e lágrima no canto do olho, mas sempre com bons amigos ao lado dela.
Mas tudo muda e mesmo quando estava bem instalada tive de entrar na faculdade, mundo desconhecido onde não conhecia ABSOLUTAMENTE NINGUÉM! Uma experiência sem dúvida revigorante e boa. Não entrei com o pé direito (é o que dá ir com a cabeça na lua) e talvez por isso tenha toda a minha estadia ali amaldiçoada. Mas, de qualquer maneira, acho que vivi amaldiçoada desde de sempre.
Agora, passado tanto tempo (19 anos e tal de vida) posso dizer que não sou quem era e, ao mesmo tempo, sou todas elas. Vou sempre ter aquela versão bem comportada e a depressiva. Mas a que eu gosto definitivamente mais é esta que estou a conhecer: uma rapariga matura e, apesar de ainda manter alguma inocência e ignorância, tem sempre um sorriso na cara e uma conversa na ponta da língua. Esta nova personalidade surgiu quando deixei de me preocupar com as convenções. Vá...quando me rendi um pouquito ao lado selvagem. Ainda estou a tentar descobrir se esta sou eu ou se é apenas o que eu quero ser.
Não sei...E dou por mim a ficar enervada e deprimida ao descobrir que passados 19 anos de convivência comigo mesma não me conheço! Já era tempo!!!!!!
Preciso de alguém que me conheça... O problema é que de tantos amigos que já deixei para trás, tenho receio de ter deixado alguns que são o que agora me fazem falta. Felizmente esta minha nova personna é sociável e mete conversa com amigos de amigas e alunos de erasmus. Ao menos isso, não?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

No Fim (apenas um pequeno poema de há uns anos que me está a dar força)

No fim

Procurei qualquer sentimento

Perda, traição, injustiça, raiva

Mas parecia ter o coração de cimento

Nada restava nele

Apenas memórias doces

Do que ingénua ousei sonhar

Do que queria que fosses

Depois de todo o tempo

Esperava guardar em mim

Alguma mágoa ou ressentimento

Mas nunca esperei sentir-me assim

Não me sinto mais viva

Mas sei que não me deixei morrer

Não me sinto mais alegre

Mas não deixara a vontade de rir esmorecer

Sinto-me diferente

Sinto-me mais mulher

Mais capaz, mais decidida

Mais apta a crescer

Não derramei uma lágrima por ti

O que tivemos desapareceu

E a culpa não foi minha

Sei que o meu coração o percebeu

Agora

Apesar de não te conseguir odiar

É-me impossível a ideia

De te voltar a amar

Pois tentar de novo contigo

Não me trará vantagem

Agora que tudo acabou

Levo comigo bagagem

Levo a aprendizagem

Amor-próprio e vontade de acordar

Certezas que sou forte o suficiente

Para de cabeça erguida continuar

Por isso no fim

Não senti absolutamente nada

Como se qualquer emoção que sentira

Fosse pura e unicamente imaginada

sábado, 15 de outubro de 2011

Semana 45

Celine Dion tinha razão ao dizer Goodbye is the saddest word I'll ever hear. Acho que até hoje não compreendi totalmente o que a velhinha do "Papuça e Dentuça" sentiu quando deixou a raposa no bosque.
Não posso dizer que a minha vida pessoal não diz respeito a vocês porque me têm acompanhado há já mais de um ano (tortura!) mas, como de certeza já perceberam, estou um pouco mal... E hoje, ao tentar tomar um novo passo para ficar de novo bem, estraguei tudo. Eu sei que tudo me anda a correr mal e ando a fazer coisas que não queria só pelo bem dos outros - e ultimamente tenho sentido uma enorme vontade de descarregar a raiva que sinto nas pessoas correctas e não naquelas que nem sabiam do que se estava a pensar - mas hoje bateu o recorde! Descobri que até o Facebook está contra a minha melhora. O meu telemóvel não ajuda e quando eu realmente preciso de alguém acabo por percorrer a lista de contactos do telemóvel e não encontrar ninguém que me possa ajudar - não quero sobrecarregar as pessoas que me aturam a semana toda, especialmente uma que é um anjo e à qual agradeço imenso porque é graças a ela que me tenho aguentado. Não fazem noção da falta que me faz ter alguém que sei que está lá 24horas por dia, 7 dias por semana. Eu tinha um assim no início do ano e estraguei tudo por outro. E agora perdi os dois e o primeiro faz-me uma falta tremenda. Será que deveria dizer-lhe? Não...ele seguiu em frente e parece-me ter-se esquecido de que, em tempos, foi o meu rochedo. Não lhe posso pedir que volte tudo ao normal, por isso estou a impedir que ele me veja como eu estou realmente. Na verdade, só uma pessoa sabe como eu estou e é o meu anjo que me tem segurado durante a semana desde dia 30 de Outubro.
Tenho de seguir em frente, mas para tal tenho de passar por todas as fases e apesar de ainda sentir raiva e vontade de espancar uma ou duas pessoas, posso garantir que já estou na fase da aceitação e um grande marco e estar a esforçar-me para dizer adeus a tudo. Claro que nunca vou esquecer tudo o que se passou mas não posso ficar neste estado. Não é saudavel!
Tenho de sair! Divertir-me e deixar que, nem que seja por uma hora, o mundo corra sem que eu tenha algo a dizer. Dançar, flirt, beber...whatever I need (não se preocupem que NÃO VOU FICAR BEBADA NEM METER-ME EM ESTUPIDEZES). Simplesmente preciso de me distrair e pensar noutra coisa. E ultimamente nem o trabalho ajuda...

Por isso aproveito para anunciar aqui: Adeus Joana apaixonada. Adeus rapariga chorosa. Adeus depressão (acho que estou mais certa se disser até um dia).
Não estou com isto a dizer que vou deixar de acreditar no amor e num final feliz. Hei-de morrer à procura dele (DEUS QUEIRA QUE NÃO), mas quem procura este sonho sofre.
Quem acredita no amor é ingénuo e acaba por ser magoado mais do que o normal...
Mas no fim acaba por conseguir o seu final feliz...
E eu sou feliz por ser tão estupidamente ingénua e infantil para acreditar em contos de fadas e principes encantados e finais felizes... :)

domingo, 9 de outubro de 2011

Semana 44


Não pertenço aqui... Honestamente duvido bastante que pertença precisamente a este local. Aliás, começo a questionar-me se algum dia vou encontrar algum lugar onde realmente me sinta inserida. Isto porquê? Porque nada me agarra à realidade. Nada me agarra a este lugar neste momento. Sim, tenho a minha irmã que eu adoro mais do que qualquer coisa (a sério tenho-lhe um amor de mãe...se algum dia me dessem a escolher entre viver ou dar-lhe a minha vida eu era a primeira a pegar na faca e espetá-la no meu coração). Sim ok tenho o meu pai que sempre me apoiou. E tenho os meus amigos que, falando a sério, são o que me tem mantido de pé nos últimos dias.
Mas fartei. Não vou fingir ser forte. Quero mostrar a parte fraca. Estou numa fase em que só me apetece esconder debaixo dos lençóis e comer chocolate às escondidas e à descarada. Quero sair de casa sem ter passado meia hora a esconder quaisquer vestígios de tristeza. Quero deixar transparecer o que tenho cá dentro em vez de fechar tudo numa pequena bola e esperar que ela expluda um dia. Porque já experimentei isso. Fiz isso durante uns 4 anos da minha vida e a única coisa a que levou foi a dois anos de pensamentos suicidas e choros constantes.
Agora simplesmente quero fazer uma coisa: fugir! Quero sair daqui nem que seja por um dia. Quero ver toda a minha realidade desaparecer. Quero ir para um sítio remoto no mundo (calmo perto de uma praia de preferência), mas quero ir sozinha. Quero desligar o telemóvel e passar os dias entre ver clássicos e passear à beira-mar enquanto a água salgada me beija os pés. Quero voltar a sentir-me em sintonia com o mundo. Quero vaguear entre os jardins que me fizeram sonhar com princesas. Quero sentir-me maravilhada com algo mesmo que não seja novo. Quero sair do Porto. Quero sair de casa. Quero mudar.
Não...Não quero nada disto... EU PRECISO DISTO SE ALGUÉM ME QUER VIVA NOS PRÓXIMO ANO.
Não querendo ser acusada de plágio, só estou à espera que um Toby Cavanaugh me diga o que ele disse à Spencer Hastings (referência a Pretty Little Liars): "Da próxima vez que quiseres fugir, liga-me e fugimos os dois."

Preciso de começar a não me sentir tão perdida. Preciso de não me sentir tão sozinha apesar de ver tanta gente à minha volta. Preciso...de fugir...daqui...

domingo, 2 de outubro de 2011

Semana 43

Mais uma semana....Mais uma pequena parte da minha vida que se desvaneceu no tempo.
Mas será que quereria voltar atrás?
Quantos de vocês não pensaram ainda em simplesmente largar tudo e voltar para um tempo em que, para vocês, tudo era perfeito? Pode ser quando vocês eram simples crianças e a vossa única preocupação era portar-se bem para o Pai Natal trazer-vos a Barbie ou o Action Man que tanto queriam. Pode ser àquela fase da adolescência em que começamos a descobrir um mundo novo de saídas à noite que não significam propriamente ficar num sofá com pais a verem se está tudo bem de 5 em 5 minutos. Pode ser à época Renascentista, Grécia Antiga, Egipto...Raios, até quando nem sequer existiam Hommo Sappiens e não passávamos de macacos com a mania que éramos diferentes.
Nunca pensaram nisso?...
Eu já. Consigo reduzir a 3 épocas em que queria ficar para sempre:

1) quando era pequena e a única coisa que podiam dizer de mim é que era uma criança feliz com um futuro promissor pela frente (bem mais positivo do que dizerem que não têm certeza se fico com emprego por aqui ou se sequer vou ter o nível de vida para ter a quantidade de filhos que quero e sustentá-los)

2) à época quando a minha avó era jovem e
tudo era mais simples, menos tecnológico...fico parva quando me apercebo que antes eles sobreviviam bem sem telemóveis e chats e facebooks e nós agora, para manter qualquer tipo de relação, sem eles estamos lixados e condenados ao insucesso - isso e o simples romantismo presente no espírito dos homens consegue atrair-me de uma forma que ainda não consigo bem explicar, tendo em conta que me orgulho de me intitular feminista

3) à Grécia Antiga. Não sei porquê sempre tive um fascínio por essa época.
É certo que as mulheres eram renegadas a um papel abaixo do secundário, mas também detinham o seu poder. Segundo o que me recordo, creio que era em Esparta que, como os homens estavam sempre ausentes para guerras e batalhas, as mulheres tomavam conta e educavam os filhos para, no futuro, também eles se tornarem fortes guerreiros e mulheres de Esparta. Mas como acho isso um pouco duro, talvez me mantenha por Atenas onde os homens eram todos pensadores e as mulheres eram limitadas a um quarto na sua divisão e podiam apenas educar as filhas, sendo que os filhos tinham uma "escola" própria. Não era simples e bonito?
Por isso, como podem ver, por mais feminista que seja, não consigo deixar de imaginar o quão bem me encaixaria num destes cenários. Não que não goste do meu telemóvel, Facebook ou até o meu Blog (que, no fundo, se trata de uma infrutífera esperança que alguém no mundo se importe com o que penso e escrevo e goste de ler tais coisas) mas posso bem viver sem isso. Quando vou de férias ou quando faço o Caminho, o que é normal é manter o telemóvel desligado (e se o ligo raramente olho para ele), não vou ao computador e a minha escrita é simplificada para a forma de papel e caneta. Digam lá, viver nesta simplicidade pode ser um grande desafio mas não poderá também ser uma coisa óptima para a sociedade viciada em tecnologias em que vivemos hoje?
(Já cheguei a um ponto que se cortassem a Internet por 1 mês em todo o Mundo, a taxa de suicídio e de internamentos em hospícios aumentaria exponencialmente).

Just saying....