Comecei a ler o livro "Anna Karenina" de Tolstoi. Tinha-me sido sugerido há já algum tempo por uma professora que tenho muito em conta. OK, há que admitir... AQUILO É ENORME! Pedi-o no Natal e pensei que conseguia lê-lo rapidamente, mas isso é mentira. Primeiro de tudo, esperei até saber os resultados de todos os exames antes de começar a ler - está bem, também é mentira...comecei a ler depois do fim dos exames, mas só li uns dois ou três capítulos.Mas o que eu queria dizer é que só agora, e já devo estar perto do capítulo 20, é que começa a ficar interessante. Sem querer ofender os que gostaram de ler, e muito menos a minha professora, no início é tudo muito lento. Claro que compreendo que todos aqueles capítulos anteriores são necessários para percebermos as personagens e, mais tarde, as suas acções. Mas mesmo assim, só agora é que apareceu a dita Anna e dei por mim sem perceber absolutamente nada, mas no bom sentido. Eu sei perfeitamente sobre o que é o livro (não só por cultura geral, mas também porque vi o trailer de um dos filmes baseado na obra em causa) mas nunca consegui perceber qual seria o casal principal. Primeiro pensei que fosse o Levine, especialmente depois de o seu pedido ter sido recusado por Kitty, mas agora talvez pondere a hipótese de ser Vronsky - mas que raio de nomes.
Bem, o mais frustrante é ter andado a tentar perceber quem era esta Anna Karenina e só entender agora. Não posso dizer que estou a meio do livro, porque isso é autêntica mentira. Peço imensa desculpa a quem está a ler isto e ainda não viu o filme ou leu o livro por estragar qualquer tipo de expectativa sobre do que seria a história, mas eu realmente precisava de falar disto.
De qualquer maneira, não posso negar que é um livro bem estruturado. Acho muito melhor ter os capítulos pequenos e espero que esta tendência continue até ao fim. Dá mais vontade de ler. Quando já passa da meia noite e chegamos ao fim de um capítulo, contamos quantas páginas compõem o próximo. Ver que ter umas cinco páginas é, sem dúvida, desafiador. Por isso é que, ultimamente, tenho ficado acordada até à uma da manhã ou depois. Há que ser verdadeira e dizer que só costumo começar a ler lá para as onze e meia (com sorte).
A razão para estar ocupada até tão tarde é o novo livro que ando a escrever. Não sei o que se passou mas aquela ânsia de escrever, que sentia com o último que completei, voltou. Lembro-me quando, há apenas umas semanas, estava stressada pois não sabia que livro escrever. Estava à espera de um sinal. Para o último, foi voltar a tocar piano - se comprarem o livro, quando o tiver publicado, entenderão. Liguei-me de tal maneira à personagem que, por umas horas, conseguia tornar-me nela sem que detectassem um vestígio de mim. É mesmo entusiasmante! Não sei se ocorre o mesmo a outros escritores/romancistas, mas é o que acontece comigo.
Por esta altura devem estar com vontade de me mandar para o manicómico, eu sei. Acreditem que também vejo o quão estranho isto é, mas não o consigo evitar. Se formos a ver as regras - se é que existem e se são rígidas - numa me deveria ligar a este nível com uma personagem, mas se não o fizer não a torno pessoa. Se não me ligar com ela, não pensar como ela nem tentar compreender o que sente, ela numa passará de palavras num pedaço de papel. Sempre acreditei que, para ser um bom livro, as personagens têm de parecer pessoas. Temos de ser capazes de pensar que poderiamos encontrar pessoas assim ao virar da esquina. Serei apenas eu a pensar assim? (A sério, podem responder. Eu não fico ofendida.)
Tudo isto fez-me começar a pensar como é que este bichinho se tinha instalado. Tudo começou no 9º ano, apesar de achar que conseguiria apanhar alguns sinais se recuasse ainda mais anos - talvez até na primária, já que gostava tanto de escrever as composições. No 9º ano não era propriamente uma rapariga popular. Podemos dizer que fazia parte do grupo menos apreciado na cadeia alimentar de um liceu. Para ajudar a tudo isto, era uma adolescente profundamente deprimida e com uma forte necessidade de encontrar alguma forma de escape à sua vida. Eu sei que parece dramático, mas eu fui assim e não tenho medo de o admitir. No entanto, e sendo totalmente honesta, não entendo completamente o que me deu na cabeça para começar a escrevrer. Sei que já andava com ideias, maioritariamente devido a um sonho constante que andava a ter, mas ficou tudo solidificado depois de ver o primeiro filme da saga Narnia. Não sei o que se passou depois, honestamente, mas quando cheguei a casa peguei numa folha de papel e comecei a escrever. Claro que ficou uma espécie de versão copiada daquele filme, com duas grandes diferenças: passava-se durante a guerra (acho que foi a Segunda Guerra Mundial), os miúdos eram orfãos (ou pelo menos era no que acreditavam, porque a mãe estava viva num universo paralelo), tinham poderes extraordinários (à excepção do mais velho), tinham amigos lobos que se transformavam em humanos depois de chegarem àquele mundo (eles estavam enfeitiçados) e tem toneladas de romance! Como? Entre os enfeitiçados e os quatro irmãos. E garanto-vos que a história de amor da Maria e Lévitom (vejam lá a minha imaginação) era de fazer chorar e comover qualquer um.
Por algum tempo, aquilo subiu-me um pouco na fasquia. As pessoas vinham perguntar-me se os podia meter no livro e se podiam escolher os nomes. Para mim isso era óptimo pois assim sempre tinha um perfil psicológico feito para a personagem.
Tudo correu bem, mas o livro era uma autêntica porcaria. Depois disso, meti-me noutra aventura que, no princípio, queria que fosse um livro apenas mas se tornou uma triologia. Culpo o livro "Filha dos Mundos" e os dois livros que se seguiram como continuação. Acabei por escrever um livro (que não tinha absolutamente nada a ver com o que referi antes) e enviei-o para um concurso. Não ganhei, mas não vi aquilo como uma derrota. Tinha de ser realista. Estava apenas a começar e tinha a noção que tinha muito que percorrer. Podia melhorar a minha escrita em muito. Mas como eu estava a dizer, foi graças ao livro de Inês Botelho que tive uma ideia ao acabar de escrever o meu. Tinha-me ligado tanto àquele livro que não me via a dá-lo por acabado. Isso seria como matar as personagens e eu não sou uma assassina.
Enquanto escrevia o livro que mais tarde intitularia de "Lágrimas de Cristal", foram-me surgindo bastantes ideias. Duas delas podiam, defenitivamente, (com algumas mudanças) a continuação. Criaria uma triologia, o que vi como um novo desafio. Então continuei a história daquela princesa, orfã aos 5 anos e rainha aos 13, que fazia os mesmos erros que uma adolescente. Tenho de admitir que a história até nem está muito má, e se mudássemos o tempo da história para o presente continuaria a funcionar. Teria apenas de tirar as fadas e magia que teimava em incluir. Foi assim que fiz a minha primeira (e única até agora) triologia. Tudo sobre uma família amaldiçoada e perseguida por uma sociedade poderosa (Sociedade das Sombras), cujo único objectivo é terminar aquela linha de sangue. É interessante pegar nos três e lê-los de seguida. Dá para notar uma evolução na escrita. Também acho interessante como, a cada livro, encontramos mulheres diferentes como personagens principais. No primeiro é uma rapariga bastante romântica, tímida mas forte, fiel e decidida (a mesma que eu era quando o comecei a escrever). No segundo, a personagem é teimosa e bastante sonhadora, apesar de bastante céptica (mais uma vez, uma cópia do que eu era naquela altura). Por fim, a terceira é uma de espírito mais livre, corajosa, aventureira, racional e, ainda assim, bastante vulnerável quando vê ameaçadas as coisas que mais ama.
(Já devem estar fartos de ler sobre isto, mas garanto que está prestes a acabar.)
O que escrevi depois disto tudo foi algo mais contemporâneo. Uma história de amor nos EUA entre uma rapariga e o seu vizinho (que tinha desaparecido durante bastantes anos e de quem ela sempre gostara). Quando se voltam a juntar é tudo perfeito, até que ela engravida antes de acabar o liceu. Felizmente conseguiu finalizá-lo e, na festa, o namorado pediu-a em noivado (apesar de ter sido depois, ele já planeava fazê-lo). Tudo isto parece muito bonito, mas digo-vos apenas que a história se passa em 2001, em Outubro. Por isso dá para perceber que meti a Guerra do Iraque ao barulho. Era suposto o livro ter uma continuação, mas ainda não me senti tentada a escrevê-la. Antes disso tenho de corrigir o primeiro porque, ao que parece, tem certas incoerências.
Depois deste escrevi um último que acabei ainda antes de fazer dezoito anos.
Demorei cerca de meio ano, mas finalmente descobri no meio de todas os projectos de romances um que me apelasse.
Só para acabar, e para vos dar uma ideia de quão fértil é a minha imaginação (não me quero gabar), no total já anotei ideias para 27 romances, dos quais:- 5,5 estão feitos (falta a continuação de um deles)
- 3 estão em dúvida de serem alguma vez escritos
- e os restantes são-me muito queridos.
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