Não sei se é amor que tens, ou amor que fingesO que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
é verdadeira. Aceito.
Cerro os olhos: é bastante.
Que mais quero?
Ricardo Reis
Há que admitir, é um dos poemas mais belos que conheço. Faz me viajar para um amanhecer na praia com o vento suavemente a agitar-me os cabelos. É maravilhoso como este poema consegue transmitir tanto mesmo sendo tão pequeno.
Foi ele que não me saiu da cabeça neste dia. Gostava de estar nesse amanhecer tão belo ao sabor de uma suave brisa alegre e terna beijando-me a pele. Gostava mesmo de estar assim, para ser honesta deve ser o que mais preciso neste momento. Aquele momento só meu, tão perfeito. Gostava de o poder partilhar, mas as o destino não o permite por enquanto.
Por isso, hoje, contentei-me com o vento a embaraçar-me os cabelos que sinto da minha varanda. Preferia ter algo quente comigo, mas não posso. Preferia ter os pés na areia e o mar calmo a fazer as ondas rebentarem diante de mim. Preferia muito mais que o mundo fosse como eu queria e pudesse estar sossegada a ver o pôr-do-sol com os braços de quem amo a aquecer-me e aquela doce brisa acalentar-me as esperanças.
Mas o mundo não é assim...
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