quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Semana 61


Apesar de estar em época de exames e não ter aulas, tenho ido à faculdade duas vezes por semana ao fim da tarde à conta das aulas de francês. Como sempre, janto na cantina. Faço-o maioritariamente sozinha, infelizmente, mas tal permitiu-me observar um facto curioso. Eu normalmente sento-me voltada para as janelas - acho que é para não me sentir tão claustrofóbica - mas, por alguma razão, decidi sentar-me voltada para a cantina e de costas para o exterior. Foi aí que me apercebi de uma coisa extraórdinária.

Normalmente as pessoas que jantam por volta das sete horas fazem-no sozinhas. Seria de esperar, portanto, que se espalhassem para continuarem no seu regime de solidão. Mas tal não ocorre! Pode parecer-vos extremamente banal, mas eu achei incrível. A verdade é que todos nós, e eu não era excepção, escolhemos deliberadamente as primeiras 4 mesas de cada coluna para nos sentarmos. Não me recordo de ver alguém sozinho a sentar-se mais distante daí. E é interessante como, se alguém na mesa à nossa frente está voltado para nós, escolhemos estar voltados para eles também. Inconsciente? Eu acho que não.

Pessoalmente achei uma mostra única e perfeita como todo o ser humano, por mais sozinho que se encontre, escolhe sempre permanecer o mais próximo possível da comunidade de forma a, talvez, não se sentir tão só. Assim, na minha opinião, podemos estar sós na nossa própria mesa (o que por vezes chega mesmo a não acontecer), mas estamos sempre rodeados de tantos outros encerrados na sua própria existência e desejosos por estar naquela comunidade silenciosa e desconhecida.

Eu achei simplesmente incrível...
Por mais sós que cada um de nós estivesse, estaríamos sós juntos.

(vejam lá se isto não é inspiração? ou então nem sei o que me passou pela cabeça para pensar nisto)

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